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	<title>Ninguém é Neutro num Combóio em Movimento...</title>
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	<description>As guerras deles, o nosso dinheiro. As suas armas, o nosso sangue. A sua produção, os nossos braços. As suas fortunas, o nosso trabalho. Um blog sobre a vida, sobre o dia-a-dia que nos envolve, que nos molda, que nos torna melhores. Ou piores. Sobre esperança, informação, sonhos, sobre a vida e a nossa humanidade que escasseia...</description>
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		<title>Os Sete Tipos de Paz, pelos Índios Aymara</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Jan 2012 21:58:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Arm The Spirit</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vários]]></category>

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		<description><![CDATA[Os índios Aymara, que habitam há séculos as margens do lago Titicaca, nos Andes, defendem a necessidade de sete diferentes tipos de paz. A primeira é para dentro de si. Consigo próprio, na saúde do corpo, na lucidez da mente, no prazer do seu trabalho, na correspondência dos seus amores. Sem paz consigo, você não [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=armthespirit.wordpress.com&amp;blog=6374620&amp;post=409&amp;subd=armthespirit&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os índios Aymara, que habitam há séculos as margens do lago Titicaca, nos Andes, defendem a necessidade de sete diferentes tipos de paz.</p>
<p>A primeira é para dentro de si. Consigo próprio, na saúde do corpo, na lucidez da mente, no prazer do seu trabalho, na correspondência dos seus amores. Sem paz consigo, você não está em paz.</p>
<p>A segunda é para cima. Com o espírito de seus antepassados, com a vontade de Deus. Se você não está em paz com o mundo sobrenatural, espiritual, com a metafísica de sua existência, a sua paz está incompleta.</p>
<p>A terceira paz é para frente, com o seu passado. A arrogante cultura ocidental põe o passado para trás. Já os Aymara põem o passado à frente, porque ele é o conhecido, o visto, o vivido. Se você tem remorsos, dívidas não pagas, culpas, arrependimentos, não está totalmente em paz.</p>
<p>A quarta paz é para trás, com seu futuro. Quem tem medo do que virá, está assustado com dívidas a pagar, com emprego incerto, esperando más notícias, não está em paz.</p>
<p>A quinta é para o lado esquerdo, com seus próximos. Sem a paz familiar, não há paz. A disputa doméstica, o descontentamento com familiares e amigos próximos, tira o sentimento de paz.</p>
<p><a href="http://armthespirit.files.wordpress.com/2012/01/indios-aymara.jpg"><img src="http://armthespirit.files.wordpress.com/2012/01/indios-aymara.jpg?w=614" alt="" title="BOLIVIA AYMARA NEW YEAR"   class="aligncenter size-full wp-image-410" /></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/armthespirit.wordpress.com/409/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/armthespirit.wordpress.com/409/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/armthespirit.wordpress.com/409/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/armthespirit.wordpress.com/409/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/armthespirit.wordpress.com/409/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/armthespirit.wordpress.com/409/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/armthespirit.wordpress.com/409/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/armthespirit.wordpress.com/409/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/armthespirit.wordpress.com/409/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/armthespirit.wordpress.com/409/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/armthespirit.wordpress.com/409/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/armthespirit.wordpress.com/409/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/armthespirit.wordpress.com/409/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/armthespirit.wordpress.com/409/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=armthespirit.wordpress.com&amp;blog=6374620&amp;post=409&amp;subd=armthespirit&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Homenagem a José Morgado, por César Príncipe</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Jan 2012 21:17:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Arm The Spirit</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arm The Spirit]]></category>

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		<description><![CDATA[No passado dia 17 de Dezembro realizou-se, em Pegarinhos (Alijó), terra natal do Professor José Morgado (1921-2003), uma romagem à sua campa e uma sessão na Casa do Teatro. Intervieram César Príncipe, António Machiavelo, ex-aluno e assistente do José Morgado na Universidade do Porto e Paulo Morgado, filho do homenageado. Foi ainda lida uma comunicação [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=armthespirit.wordpress.com&amp;blog=6374620&amp;post=406&amp;subd=armthespirit&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No passado dia 17 de Dezembro realizou-se, em Pegarinhos (Alijó), terra natal do Professor José Morgado (1921-2003), uma romagem à sua campa e uma sessão na Casa do Teatro. Intervieram César Príncipe, António Machiavelo, ex-aluno e assistente do José Morgado na Universidade do Porto e Paulo Morgado, filho do homenageado. Foi ainda lida uma comunicação de Aurélio Santos, do Conselho Nacional da URAP, entidade organizadora da evocação.</p>
<p><a href="http://armthespirit.files.wordpress.com/2012/01/josc3a9-morgado.jpg"><img src="http://armthespirit.files.wordpress.com/2012/01/josc3a9-morgado.jpg?w=614" alt="" title="José Morgado"   class="aligncenter size-full wp-image-407" /></a></p>
<p>&#8216; As homenagens não têm lugar único. Em todo o lado se pode homenagear. Neste espaço de repouso jaz um homem que sempre foi inquieto e inquietador e que encarou a vida académica e cívica com o máximo de exigência e de intransigência. Isto é: foi mestre do rigor e baluarte da dignidade. Afastado do ensino, nunca se afastou do aprofundamento e da transmissão do saber. O saber nunca o quis só para si. Esforçou-se por universalizar o conhecimento. Poderia ter sido um vencedor solitário. Preferiu ser um derrotado solidário. Sete vezes preso, jamais desistiu de ser livre e de ambicionar que o Povo Português se tornasse igualmente livre. Exilado no Brasil, continuou a luta por Portugal e pela Civilização. Desde 25 de Abril de 1974 até 9 de Outubro de 2003, manteve plena coerência e austera decência. Nunca se calou em ditadura. Nunca se desarmou em democracia. É este Português Maior e Homem Inteiro que é indispensável recordar e retomar na construção de uma sociedade justa. O presente conta com o passado de José Morgado. Assim, esta homenagem não é apenas uma romagem, mas uma visita de combatentes a um companheiro de muitas jornadas, que só tombou por força da biologia, que jamais soçobrou pela ideologia. De José Morgado, com todo o orgulho, diremos que caminha a nosso lado. Ele que, em 1957, foi proibido pelo Tribunal Plenário do Porto de acompanhar pessoas de má conduta política. Pessoas como nós. Como tantos e tantos milhares de portugueses que não se vergaram nem vergam perante a lei da violência como razão de Estado, perante a ignorância como estratégia de controlo social, perante a corrupção como sistema de poder. José Morgado estará onde nós estivermos contra as arbitrariedades, as insanidades e as iniquidades.</p>
<p>Mas onde estarão os inferiores culturais e políticos que, de 1947 a 1974, perseguiram um superior matemático e um pedagogo revolucionário? Onde estão os inferiores culturais e políticos que, em 1999, não tiveram coragem de recusar a proposta de atribuição da Medalha de Ouro da Cidade a José Morgado, que fora vice-reitor da Universidade do Porto, mas que não procederam à sua entrega em vida? A História não os absolverá. José Morgado passou pelo Aljube e por Caxias, foi espancado, perdeu o emprego e sofreu o exílio e, no entanto, ei-lo, como um sol subterrâneo a iluminar os nossos pés, a nossa estrada, o caminho da justiça social e da independência nacional. Ei-lo, entre nós, como em 1952: então manifestou-se contra a adesão de Portugal à NATO; em 1998 contra o bombardeamento da Jugoslávia pela NATO. Ei-lo, como símbolo, entre nós, nas marchas de protesto nos negros dias de um Portugal ocupado e humilhado. Cidadão da Liberdade, da Igualdade, do Progresso e da Paz, José Morgado estará onde estiver a indignação dos trabalhadores sem presente, dos jovens sem futuro e dos idosos a quem até já roubam o passado, dos lavradores a quem mandaram abandonar a terra, dos pescadores a quem tiraram o mar, dos intelectuais que são convidados a não pensar e a não agir.</p>
<p>Amanhã, no tão urgente e claro amanhã que o país precisa, o sábio humanista de Pegarinhos será matéria obrigatória nas escolas portuguesas. A criança modesta que partiu de uma aldeia para enriquecer o Mundo tornou-nos mais próximos da sabedoria, da fraternidade e da esperança. Regressaremos às nossas localidades e às nossas actividades com energia renovada e redobrada por esta romagem a uma terra de amendoeiras e fortalezas. Não é em vão que certos vultos são evocados: ficaremos mais responsáveis depois da passagem pela última morada de José Morgado. É uma das virtudes dos que morrem mas não desaparecem: a sua obra e o seu exemplo não se sepultam. </p>
<p>Ver também:</p>
<p><strong><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Morgado">Wikipedia</a></strong><br />
<strong><a href="http://cvc.instituto-camoes.pt/ciencia/p68.html">Instituto Camões</a></strong></p>
<p>Este artigo encontra-se em <strong><a href="http://www.resistir.info/portugal/homenagem_jose_morgado.html">Resistir</a></strong>.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/armthespirit.wordpress.com/406/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/armthespirit.wordpress.com/406/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/armthespirit.wordpress.com/406/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/armthespirit.wordpress.com/406/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/armthespirit.wordpress.com/406/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/armthespirit.wordpress.com/406/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/armthespirit.wordpress.com/406/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/armthespirit.wordpress.com/406/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/armthespirit.wordpress.com/406/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/armthespirit.wordpress.com/406/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/armthespirit.wordpress.com/406/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/armthespirit.wordpress.com/406/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/armthespirit.wordpress.com/406/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/armthespirit.wordpress.com/406/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=armthespirit.wordpress.com&amp;blog=6374620&amp;post=406&amp;subd=armthespirit&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>José Dias Coelho, 50 Anos Depois da Sua Morte, por Margarida Tengarrinha</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Jan 2012 21:12:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Arm The Spirit</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arm The Spirit]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Hoje, como então, os oportunismos tiram força à luta e aos combatentes, porque iludem a realidade e não perspectivam o caminho, nem apontam claramente os objectivos&#8220;. Relembrar aqueles que caíram, os heróis da resistência antifascista, não é apenas olhar o passado. É também lembrar que a luta pela emancipação dos trabalhadores e dos povos pode, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=armthespirit.wordpress.com&amp;blog=6374620&amp;post=402&amp;subd=armthespirit&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;<em>Hoje, como então, os oportunismos tiram força à luta e aos combatentes, porque iludem a realidade e não perspectivam o caminho, nem apontam claramente os objectivos</em>&#8220;. </p>
<p>Relembrar aqueles que caíram, os heróis da resistência antifascista, não é apenas olhar o passado. É também lembrar que a luta pela emancipação dos trabalhadores e dos povos pode, em diferentes momentos, enfrentar uma repressão mais ou menos abertamente violenta, mas é sempre travada contra um inimigo de classe que não abdica de recorrer a todos os meios para perpetuar o seu domínio. E que só será vencido por uma força maior: a das massas unidas, organizadas e dispostas à luta, quaisquer que sejam os sacrifícios que essa luta imponha.</p>
<p>Esta é, com toda a probabilidade, a última vez (sim, a última vez porque já tenho 83 anos), que participarei numa cerimónia de homenagem ao Zé, recordando-o, neste dia 19 de Dezembro em que foi brutalmente assassinado.</p>
<p>Por isso, e porque o camarada Jerónimo certamente abordará a sua biografia como militante comunista, eu falarei dele num registo mais íntimo: a intimidade criada em mais de uma dezena de anos em que partilhámos desde as lutas estudantis e pela Paz às tarefas comuns, desempenhadas juntos na clandestinidade, de fornecer documentação falsa que defendesse os camaradas da vigilância da PIDE, de procurar renovar graficamente os documentos e a imprensa partidária, de iniciar um arquivo fotográfico do Partido e a partir dele redigir &#8220;A Resistência em Portugal&#8217;, assim como suportarmos juntos a ausência da família e dos amigos, a dolorosa separação da nossa filha, mas, juntos também, a felicidade do nascimento da mais nova e descobrirmos a alegria das pequenas coisas com um sabor intensificado pela austeridade do dia-a-dia, as festas de amor vividas com a força de não sabermos se, na madrugada seguinte, bateria à nossa porta uma brigada da PIDE a sobressaltar-nos na cama e a separar-nos. A constante ameaça da prisão.</p>
<p>Mas foi muito mais dura do que isso a separação imposta pelo crime que ali, na rua que hoje tem o seu nome, o tomou mais uma vítima do fascismo.</p>
<p><strong>Não o vi depois de morto, só soube da sua morte no dia em que o enterraram. Não fiz, pois, o que se chama &#8220;<em>o luto</em>&#8221; e por isso arrastei dolorosamente ao longo dos anos coisas por dizer, remorsos por não ter dito, lamentos que não expressei</strong>.</p>
<p><a href="http://armthespirit.files.wordpress.com/2012/01/dias_coelho.jpg"><img src="http://armthespirit.files.wordpress.com/2012/01/dias_coelho.jpg?w=614" alt="" title="Dias Coelho"   class="aligncenter size-full wp-image-403" /></a></p>
<p>Hoje, cinquenta anos passados depois da sua morte, vem-me claramente à ideia aquele livro de <strong>Anna Seghers</strong> – &#8220;<em>Os mortos continuam jovens</em>&#8220;. Porque a verdade é que, nem eu, nem ninguém que o conheceu poderá recordá-lo de outra forma que não seja aquele homem na força da vida, jovem e entusiasta. Sim, os mortos continuam jovens e ele, jovem para sempre.</p>
<p>Jovem e &#8220;sem vocação para a morte&#8221; como disse Eugénio, de Andrade no poema &#8220;<em>Discurso tardio à Memória de José Dias Coelho</em>&#8220;:</p>
<p>    … &#8220;Morre-se de ter uns olhos de cristal,<br />
    Morre-se de ter um corpo, quando subitamente<br />
    uma bala descobre a juventude<br />
    da nossa carne acesa até aos lábios.&#8221;… </p>
<p>Ou ainda, como o seu grande amigo José Cardoso Pires afirmou na primeira homenagem a José Dias Coelho logo a seguir ao 25 de Abril, na Sociedade Nacional de Belas Artes em 19 de Junho de 1974, dia em que, se fosse vivo, o Zé teria feito 51 anos:</p>
<p>    &#8220;S<em>abemos que é um capítulo, ódio ou máscara do medo, a morte imposta aos militantes da liberdade. Mas sabemos igualmente que é dela que o fascismo faz moeda própria e alimento essencial, que onde haja exploração do homem está ela, a morte, disfarçada de comum e natural, e que, irmã traidora da fome, tem na guerra, em todas as guerras, o seu lucro mercenário. (…) É a morte, morte, sempre a morte, que aparece como exibição imperialista de orgulho e de poder. Por isso é que os verdadeiros revolucionários amaram e defenderam a vida com o risco do último sacrifício e entre esses, Dias Coelho, o meu amigo de longe e para sempre. Poucos como ele tiveram tão saudável e empenhado gosto de viver, e raros, raríssimos, usaram de tão serena tolerância no desejo de compreender e lutar</em>&#8220;. Assim falou dele o amigo José Cardoso Pires. </p>
<p>E tinha razão, mesmo para além do que directamente conhecia. Gosto de viver, desejo de compreender e de lutar poderia ser uma biografia sintética do Zé.</p>
<p>E de lutar em diversas e variadas lutas, começando pelas suas intimas e não confessadas. Uma batalha que se inicia a partir de dentro de si próprio, entre a sua passividade de artista contemplativo que se expressava nos seus desenhos de uma simplicidade procurada e depurada, as suas &#8220;Líricas&#8221; e outros desenhos intimistas, mas por outro lado, como defensor activo do neo-realismo, uma arte militante e de combate, uma arte do povo, pelo povo e para o povo, pela qual se exprimiu também em muitos dos seus trabalhos de desenho e escultura. Foi talvez na gravura &#8220;Morte da Catarina Eufémia&#8221;, gravura empenhada e revolucionária, mas de um claro lirismo, que melhor conseguiu a difícil simbiose entre o lirismo que lhe era próprio e a arte militante e de combate, que defendia.</p>
<p>Quanto ao seu &#8220;desejo de compreender&#8221;, o seu desejo de compreender tinha expressão na ideia de que, em qualquer momento da história, qualquer que seja o contexto social e político, é essencial compreender os homens. Foi essa sua característica pessoal que o levou a estabelecer relacionamentos não só com os intelectuais ligados ao Partido Comunista, mas ainda com muitos outros que, fora da organização, aceitavam colaborar em acções comuns, tal como disse o meu irmão, José Manuel Tengarrinha, acentuando que: &#8220;o prestígio de Dias Coelho e a confiança que lhes merecia [aos intelectuais sem partido], foi um importante factor de alargamento da frente intelectual antifascista, que nunca permitiu espaço de manobra e de credibilidade aos intelectuais servidores do regime.&#8221;</p>
<p>Isto no período da guerra-fria e das tentativas de isolamento do Partido Comunista. &#8220;É nestas condições [diz o meu irmão], que podemos avaliar as grandes dificuldades do trabalho político desenvolvido por José Dias Coelho e o mérito da sua influência no campo intelectual&#8221;. Eu posso testemunhar que, no decurso das várias tarefas e na vida partidária, o Zé nunca abandonou esse desejo de compreender. E assim, nos dois últimos anos da sua vida, foi para ele como que um deslumbramento esclarecedor a alteração crítica à linha do Partido desenvolvida a partir da fuga de Peniche, realizada no dia 3 de Janeiro de 1960.</p>
<p>De facto, desde Janeiro de 1960, mais concretamente a partir da reunião extraordinária de Fevereiro desse ano e, com a aprovação dos documentos &#8220;<em>A tendência anarco-liberal na organização do trabalho de direcção</em>&#8221; e &#8220;<em>O desvio de direita nos anos 1956-1959</em>&#8220;, na reunião do Comité Central de Março de 1961, desenvolveu-se em todo o Partido um vivo debate critico (em que nós participámos activamente) ao desvio oportunista de direita e, consequentemente, à errada concepção da possibilidade de derrubamento do fascismo por uma qualquer &#8220;solução pacífica&#8221;, hipótese que era admitida desde fins dos anos 50 e tornada oficial a partir do V Congresso do Partido, realizado em Setembro de 1957.</p>
<p>A crítica foi dura, mas clara e lógica: dado o carácter da ditadura fascista, determinada a manter o poder e resistir até ao fim por meio de uma política de repressão feroz, não era possível manter a ilusão de &#8220;uma transição pacífica&#8221; que vinha a ser admitida no Partido, por influência do chamado &#8220;Relatório de Kruchov&#8221; e desenvolvimentos posteriores a partir do XX Congresso do PCUS.</p>
<p>A orientação de que o derrubamento do fascismo só poderia ser efectuado por meio de uma solução violenta, uma insurreição popular, a luta do povo em união com os militares revolucionários, vencendo e destruindo o aparelho militar e repressivo fascista, viria ser aprovada no VI Congresso, juntamente com o Programa para a Revolução Democrática e Nacional. Quando o VI Congresso se realizou, em Setembro de 1965, já o Zé tinha morrido e o Congresso prestou-lhe uma sentida homenagem.</p>
<p>A rectificação ao desvio oportunista de direita, sem ilusões de saídas pacíficas, em cuja discussão o Zé participou activamente, deu-lhe a clara consciência do caminho real, muito duro e difícil, que se apresentava pela frente, que havia que assumir e enfrentar – o caminho da prisão e da tortura, da morte e do sangue derramado.</p>
<p>Ele sabia, portanto, os perigos que enfrentava.</p>
<p>Hoje, como então, os oportunismos tiram força à luta e aos combatentes, porque iludem a realidade e não perspectivam nem o caminho, nem apontam claramente os objectivos.</p>
<p>José Dias Coelho deu a vida, consciente dos perigos que enfrentava e certo de que a sua luta conduziria ao Portugal socialista pelo qual morreu.</p>
<p><strong>19/Dezembro/2011</strong></p>
<p>[*] Intervenção de <strong>Margarida Tengarrinha</strong> na sessão pública que assinalou os 50 anos do assassínio de José Dias Coelho pela PIDE</p>
<p>O original na íntegra encontra-se em <strong><a href="http://www.odiario.info/?p=2321">O Diário</a></strong>.</p>
<p>Este discurso encontra-se em <strong><a href="http://resistir.info/">Resistir</a></strong>. </p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/armthespirit.wordpress.com/402/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/armthespirit.wordpress.com/402/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/armthespirit.wordpress.com/402/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/armthespirit.wordpress.com/402/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/armthespirit.wordpress.com/402/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/armthespirit.wordpress.com/402/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/armthespirit.wordpress.com/402/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/armthespirit.wordpress.com/402/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/armthespirit.wordpress.com/402/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/armthespirit.wordpress.com/402/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/armthespirit.wordpress.com/402/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/armthespirit.wordpress.com/402/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/armthespirit.wordpress.com/402/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/armthespirit.wordpress.com/402/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=armthespirit.wordpress.com&amp;blog=6374620&amp;post=402&amp;subd=armthespirit&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Dias Coelho</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>Conto de Natal: Maria e José na Palestina em 2011, por James Petras</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Jan 2012 20:06:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Arm The Spirit</dc:creator>
				<category><![CDATA[Palestina Livre!]]></category>

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		<description><![CDATA[Os tempos eram duros para José e Maria. A bolha imobiliária explodira. O desemprego aumentava entre trabalhadores da construção civil. Não havia trabalho, nem mesmo para um carpinteiro qualificado. As colónias judaicas continuavam sendo construídas, financiadas principalmente pelo dinheiro judeu da América do Norte, vindo de especuladores de Wall Street e donos de casas de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=armthespirit.wordpress.com&amp;blog=6374620&amp;post=399&amp;subd=armthespirit&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os tempos eram duros para José e Maria. A bolha imobiliária explodira. O desemprego aumentava entre trabalhadores da construção civil. Não havia trabalho, nem mesmo para um carpinteiro qualificado.</p>
<p>As colónias judaicas continuavam sendo construídas, financiadas principalmente pelo dinheiro judeu da América do Norte, vindo de especuladores de Wall Street e donos de casas de jogo.</p>
<p>&#8220;Bem&#8221;, pensou José, &#8220;temos algumas ovelhas e oliveiras e Maria cria galinhas&#8221;. Mas José preocupava-se: &#8220;queijo e azeitonas não chegam para alimentar um rapaz em crescimento. Maria vai dar à luz o nosso filho um dia destes&#8221;. Os seus sonhos profetizavam um rapaz robusto a trabalhar ao seu lado… multiplicando pães e peixes.</p>
<p>Os colonos desprezavam José. Este raramente ia à sinagoga, e nas festividades chegava tarde para fugir ao dízimo. A sua modesta casa estava situada num local ideal para a expansão das colônias. Por isso quando José se atrasou no pagamento do imposto predial, os colonos apropriaram-se da casa dele, despejaram José e Maria à força e ofereceram-lhes bilhetes só de ida para Jerusalém.</p>
<p>José, nascido e criado naquelas colinas áridas, resistiu e feriu uns tantos colonos com os seus punhos calejados pelo trabalho. Mas acabou abatido sobre a sua cama nupcial, debaixo da oliveira, num desespero total.</p>
<p>Maria, muito mais nova, sentia os movimentos do bebê. A sua hora estava chegando.</p>
<p>&#8220;Temos que encontrar um abrigo, José, temos que sair daqui… não há tempo para vinganças&#8221;, implorou.</p>
<p>José, que acreditava no &#8220;olho por olho&#8221; dos profetas do Antigo Testamento, concordou contrariado.</p>
<p>E foi assim que José vendeu as ovelhas, as galinhas e outros pertences a um vizinho árabe e comprou um burro e uma carroça. Carregou o colchão, algumas roupas, queijo, azeitonas e ovos e partiram para a Cidade Santa.</p>
<p>O caminho era pedregoso e cheio de buracos. Maria encolhia-se em cada sacudidela; receava que o bebê se ressentisse. Pior, estavam na estrada para os palestinos, com postos de controle militares por toda a parte. Ninguém tinha avisado José que, por ser judeu, podia ter-se metido por uma estrada lisa pavimentada – proibida aos árabes.</p>
<p>No primeiro posto policial José viu uma longa fila de árabes à espera. Apontando para a mulher muito grávida, José perguntou aos palestinos, meio em árabe, meio em hebreu, se podiam continuar. Abriram uma clareira e o casal avançou.</p>
<p>Um jovem soldado apontou a espingarda e disse a Maria e a José para descerem da carroça. José desceu e apontou para a barriga da mulher. O soldado deu meia volta e virou-se para os seus camaradas. &#8220;Este árabe velho engravida a rapariga que comprou por meia dúzia de ovelhas e agora quer passar&#8221;.</p>
<p>José, vermelho de raiva, gritou num hebreu grosseiro, &#8220;Eu sou judeu. Mas ao contrário de vocês… respeito as mulheres grávidas&#8221;.</p>
<p>O soldado empurrou José com a espingarda e mandou-o recuar: &#8220;És pior do que um árabe – és um velho judeu que viola raparigas árabes&#8221;.</p>
<p>Maria, assustada com o caminho que as coisas estavam a tomar, virou-se para o marido e gritou: &#8220;Para, José, ou ele dispara e o nosso bebê vai nascer órfão&#8221;.</p>
<p>Com grande dificuldade, Maria desceu da carroça. Apareceu um oficial do posto da guarda, chamando por uma colega: &#8220;Oh Judi, apalpa-a por baixo do vestido, ela pode ter bombas escondidas&#8221;.</p>
<p>&#8220;Que se passa? Já não gostas de ser tu a apalpá-las?&#8221; respondeu Judith num hebreu com sotaque de Brooklyn. Enquanto os soldados discutiam, Maria apoiou-se no ombro de José. Por fim, os soldados chegaram a um acordo.</p>
<p>&#8220;Levanta o vestido e o que tens por baixo&#8221;, ordenou Judith. Maria ficou branca de vergonha. José olhava para a espingarda desmoralizado. Os soldados riam-se e apontavam para os peitos inchados de Maria, gracejando sobre um terrorista ainda não nascido com mãos árabes e cérebro judeu.</p>
<p><a href="http://armthespirit.files.wordpress.com/2012/01/maria_jose_soldados_israelenses.jpg"><img src="http://armthespirit.files.wordpress.com/2012/01/maria_jose_soldados_israelenses.jpg?w=614" alt="" title="maria_jose_soldados_israelenses"   class="aligncenter size-full wp-image-400" /></a></p>
<p>José e Maria continuaram a caminho da Cidade Santa. Foram frequentes vezes detidos nos postos de controle. Sofriam sempre mais indignidades e mais insultos gratuitos proferidos por homens e mulheres, leigos e religiosos – todos os soldados do povo Eleito.</p>
<p>Já era quase noite quando Maria e José chegaram finalmente ao Muro de Jerusalém. Os portões já estavam fechados. Maria chorava em pânico, &#8220;José, sinto que o bebê está chegando. Por favor, arranja qualquer coisa depressa&#8221;.</p>
<p>José entrou em pânico. Viu as luzes duma pequena aldeia ali perto e, deixando Maria na carroça, correu para a casa mais próxima e bateu à porta com força. Uma mulher palestina entreabriu a porta e espreitou para a cara escura e agitada de José. &#8220;Quem és tu? O que é que queres?&#8221;</p>
<p>&#8220;Sou José, carpinteiro das colinas do Hebron. A minha mulher está quase a dar à luz e preciso de um abrigo para proteger Maria e o bebê&#8221;. Apontando para Maria na carroça do burro, José implorava na sua estranha mistura de hebreu e árabe.</p>
<p>&#8220;Bem, falas como um judeu, mas pareces mesmo um árabe&#8221;, disse a mulher palestina rindo enquanto o acompanhava até à carroça.</p>
<p>A cara de Maria estava contorcida de dores e de medo; as contrações estavam ficando mais frequentes e intensas.</p>
<p>A mulher disse a José que levasse a carroça de volta para um estábulo onde se guardavam as ovelhas e as galinhas. Logo que entraram, Maria gritou de dor e a palestina, a que já se juntara uma parteira vizinha, ajudou rapidamente a jovem mãe a deitar-se numa cama de palha.</p>
<p>E assim nasceu a criança, enquanto José assistia cheio de temor.</p>
<p>Aconteceu que passavam por ali alguns pastores, que regressavam do campo, e ouviram uma mistura de choro de bebê e de gritos de alegria e se apressaram a ir até ao estábulo levando as suas espingardas e leite fresco de cabra, sem saber se iam encontrar amigos ou inimigos, judeus ou árabes. Quando entraram no estábulo e depararam com a mãe e o menino, puseram de lado as armas e ofereceram o leite a Maria que lhes agradeceu tanto em hebreu como em árabe.</p>
<p>E os pastores ficaram estupefatos e pensaram: Quem seria aquela gente estranha, um pobre casal judeu, que chegara em paz com uma carroça com inscrições árabes?</p>
<p>As novas espalharam-se rapidamente sobre o estranho nascimento duma criança judia junto ao Muro, num estábulo palestino. Apareceram muitos vizinhos que contemplavam Maria, o menino e José.</p>
<p>Entretanto, soldados israelenses, equipados com óculos de visão noturna, alertaram a partir de suas torres de vigia que cobriam a vizinhança palestina: &#8220;Os árabes estão se reunindo junto ao Muro, num estábulo, à luz das velas&#8221;.</p>
<p>Abriram-se os portões por baixo das torres de vigia e de lá saíram carros blindados com luzes brilhantes, seguidos por soldados armados até aos dentes, que cercaram o estábulo, os aldeões reunidos e a casa da mulher palestina. Um alto-falante disparou, &#8220;Saiam para fora com as mãos no ar ou disparamos&#8221;. Saíram todos do estábulo, juntamente com José, que deu um passo em frente de braços virados para o céu e falou, &#8220;A minha mulher Maria não pode obedecer às vossas ordens. Está amamentando o menino Jesus&#8221;.</p>
<p>Original <strong><a href="http://petras.lahaine.org/articulo.php?p=1831&amp;more=1&amp;c=1">aqui</a></strong>.</p>
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	</item>
		<item>
		<title>Neolíngua, por Luis Britto Garcia</title>
		<link>http://armthespirit.wordpress.com/2011/11/27/neolingua-por-luis-britto-garcia/</link>
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		<pubDate>Sun, 27 Nov 2011 11:29:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Arm The Spirit</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arm The Spirit]]></category>

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		<description><![CDATA[Em nome do imperialismo humanitário, da atrocidade bondosa e do holocausto benfeitor, intensificamos a agressão pacífica, o bombardeio filantrópico, o extermínio vivificante e o genocídio benévolo para assegurar o arrebatamento honrado, o saqueio generoso e a pilhagem altruísta. Multiplicando as guerras preventivas, expandimos o assassinato profiláctico, o extermínio saudável, a hecatombe caritativa e a matança [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=armthespirit.wordpress.com&amp;blog=6374620&amp;post=394&amp;subd=armthespirit&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em nome do imperialismo humanitário, da atrocidade bondosa e do holocausto benfeitor, intensificamos a agressão pacífica, o bombardeio filantrópico, o extermínio vivificante e o genocídio benévolo para assegurar o arrebatamento honrado, o saqueio generoso e a pilhagem altruísta. Multiplicando as guerras preventivas, expandimos o assassinato profiláctico, o extermínio saudável, a hecatombe caritativa e a matança benfeitora para impor a barbárie progressista, a democracia oligárquica, o racismo tolerante, o encarceramento libertador, a tortura compassiva e a opressão redentora. Tão elevados fins justificam os meios da fraude informativa, da notícia inventada e a tergiversação verídica que, apoiadas na ocultação transparente, na ignorância ilustrada e na mentira confiável evidenciam a elevada baixeza do nosso oportunismo ético, etapa superior da prostituição moralista que nos assegura a verdadeira mentira da eternidade efémera da omnipotência impotente.</p>
<p><strong>SHOW BUSINESS</strong></p>
<p>Para impedir que continue uma repressão inventada pelos media, os bombardeiros calcinam o país até conseguir a conquista da sua Praça Central representada por actores extra em maqueta edificada no outro extremo do mundo, para proclamar a vitória da Junta de Sediciosos cujo presidente não aparece porque foi assassinado pelos próprios sediciosos enquanto Judas Iscariote apresenta o genocídio como vitória de um movimento social composto por financeiros que rapinam reservas internacionais, abutres que repartem entre si seus recursos, alianças militares que só atacam países mais débeis e mercenários idealistas que triunfam definitivamente numa guerra que não acabará nunca mais.</p>
<p><strong>COVIL</strong></p>
<p>Todos os caminhos levam a Covil, capital do Império.</p>
<p>Em Covil foram parar as Maravilhas do Mundo, devidamente saqueadas aos povos que as criaram.</p>
<p>Não há uma pedra de calçamento em Covil que não tenha sido arrancada do trabalho escravo, nem um muro que não provenha do preço de aldeias arrasadas.</p>
<p>No engaste de todas as jóias está inscrito o custo em sangue dos mineiros mortos nas galerias.</p>
<p>Os caminhos dos jardins ostentam as ossadas dos imolados nas guerras coloniais.</p>
<p>Covil consome as frutas mais deliciosas e com elas vêm as mãos cortadas dos colectores que não completaram a quota fixada.</p>
<p>Pelo subsolo de Covil correm as cloacas de suor e de sangue da miséria de onde surge sua deslumbrante riqueza.</p>
<p>Covil ilumina o mundo com luminárias acesas na medula dos explorados.</p>
<p>Nos monumentos dos grandes homens de Covil figuram os números exactos das suas hecatombes.</p>
<p>Covil tem academias onde se demonstram as subtilezas alcançáveis com o ócio pago pelos consumidos por esgotamento.</p>
<p>Em todas as suas escolas ensina-se o extermínio e a destruição em todas as suas universidades.</p>
<p>Não é que Covil seja sublime, mas destrói toda obra humana que possa empaná-la.</p>
<p>Sua sabedoria é sinónima de botim e sua filosofia um eufemismo do latrocínio.</p>
<p>Covil é capital da moda e as elegantes disputam entre si os exclusivos modelos de pele humana bronzeada.</p>
<p>Muito filosofa Covil sobre como aperfeiçoar e dissimular os silogismos do saqueio.</p>
<p>Os deliciosos vinhos de Covil têm poços de sangue.</p>
<p>Causam assombro as catedrais de Covil, onde comparecem os fiéis a serem devorados.</p>
<p>Véus subtis tecem os artistas de Covil para atenuar o clamor dos sacrificados.</p>
<p>O mais supremo êxito de Covil é provar que todo humanismo se alimenta devorando humanos.</p>
<p>Após cada assalto de Covil proliferam sicofantas empenhados em demonstrar que o único desejo das vítimas era serem assaltadas.</p>
<p>Tantas mortes quanto provocou Covil financiam o laboratório onde se prepara a Morte Absoluta de tudo.</p>
<p>Covil devora o mundo e seus habitantes devoram-se entre si até que nada reste.</p>
<p><strong>Escritor</strong>, venezuelano.</p>
<p>O original encontra-se <strong><a href="http://luisbrittogarcia.blogspot.com/">aqui</a></strong>.</p>
<p>Retirado de <strong><a href="http://resistir.info/">Resistir</a></strong>.</p>
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	</item>
		<item>
		<title>A República Madeirense e o Governo Regional do Continente, por Ricardo Araújo Pereira</title>
		<link>http://armthespirit.wordpress.com/2011/11/26/a-republica-madeirense-e-o-governo-regional-do-continente-por-ricardo-araujo-pereira/</link>
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		<pubDate>Sat, 26 Nov 2011 10:41:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Arm The Spirit</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arm The Spirit]]></category>

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		<description><![CDATA[Este ano, excecionalmente, Alberto João Jardim começou o ano político a pedir dinheiro ao governo. Alguma vez tinha de ser. A crise toca a todos, e a prova é que até um homem conhecido por se contentar com o orçamento de que costuma dispor – que, além do mais, é acanhado – dá por si [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=armthespirit.wordpress.com&amp;blog=6374620&amp;post=392&amp;subd=armthespirit&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Este ano, excecionalmente, Alberto João Jardim começou o ano político a pedir dinheiro ao governo. Alguma vez tinha de ser. A crise toca a todos, e a prova é que até um homem conhecido por se contentar com o orçamento de que costuma dispor – que, além do mais, é acanhado – dá por si com falta de liquidez. Quer isto dizer que Alberto João Jardim está endividado, como boa parte dos portugueses? Não. Quer apenas dizer que Alberto João Jardim está endividado. Mas endividado à sua maneira, com uma dignidade e um sentido de Estado que as dívidas dos seus concidadãos não possuem.</p>
<p>Talvez os leitores incapazes de distinguir as dívidas normais das dívidas patrióticas não compreendam a diferença sem uma explicação adicional. Felizmente, Alberto João Jardim forneceu-a. Disse que aumentou a dívida da Madeira para se defender do «ataque financeiro» constituído pela lei das finanças regionais, aprovada pelo governo anterior. «Com este rombo nas finanças da Madeira, eu só tinha duas hipóteses: ou fazia como no boxe, jogava a toalha ao chão e desistia (…) ou então enfrentava-os como enfrentei e aumentei a dívida da Madeira». E acrescentou que optou pela «derrapagem financeira» para «resistir à agressão socialista (…) e agora poder negociar com o Governo que é liderado pelo PSD». A explicação é cristalina, mas talvez fique ainda um pouco mais clara se vertermos algumas expressões para um português mais simples. Quando diz que, perante a lei das finanças regionais, podia ter feito como no boxe e lançado a toalha, Jardim quer dizer que podia ter optado por cumprir a lei, mas isso seria uma mariquice equiparável a desistir de uma boa zaragata; quando diz que enfrentou o governo anterior e vai negociar com o atual, quer dizer que usou o nosso dinheiro indevidamente e agora chegou a altura de pagarmos a conta. Que Portugal estava confrontado com o Cobrador do Fraque já se sabia; que tenha ainda de suportar o Cobrador Fantasiado de Shaka-Zulu acrescenta enxovalho ao que já era embaraçoso.</p>
<p>No entanto, trata-se de um embaraço merecido. O povo português endividou-se por inconsciência, irresponsabilidade ou laxismo; Alberto João optou por contrair dívidas porque é corajoso, rebelde e arrojado.</p>
<p>É apenas justo que quem se endivida da maneira errada pague também as dívidas de quem se endivida da maneira certa. Eu próprio tenho algumas dívidas, mas são todas da responsabilidade do governo anterior. Para enfrentar José Sócrates, tive a presença de espírito de me endividar.</p>
<p>Creio que ele já aprendeu a lição. Assim que o povo português acabar de pagar as dívidas de Alberto João Jardim, faça o favor de pagar as minhas.</p>
<p><strong>Fonte</strong>: <strong><a href="http://aeiou.visao.pt/a-republica-madeirense-e-o-governo-regional-do-continente=f619982">Visão</a></strong></p>
<p>O original encontra-se em <strong><a href="http://infoalternativa.org/spip.php?article2231">Info Alternativa</a></strong>.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/armthespirit.wordpress.com/392/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/armthespirit.wordpress.com/392/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/armthespirit.wordpress.com/392/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/armthespirit.wordpress.com/392/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/armthespirit.wordpress.com/392/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/armthespirit.wordpress.com/392/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/armthespirit.wordpress.com/392/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/armthespirit.wordpress.com/392/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/armthespirit.wordpress.com/392/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/armthespirit.wordpress.com/392/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/armthespirit.wordpress.com/392/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/armthespirit.wordpress.com/392/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/armthespirit.wordpress.com/392/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/armthespirit.wordpress.com/392/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=armthespirit.wordpress.com&amp;blog=6374620&amp;post=392&amp;subd=armthespirit&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Guerra e Compras &#8211; Um Extremismo Que Nunca Diz o Seu Nome, por John Pilger</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Nov 2011 10:31:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Arm The Spirit</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos de John Pilger]]></category>

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		<description><![CDATA[Procurando uma livraria que já lá não estava, entrei num labirinto desenhado como uma verdadeira armadilha. Sair dali tornou-se uma ilusão distante, tal como Alice quando passou para o outro lado do espelho. As paredes de vidro curvavam-se em círculos concêntricos enquanto uma &#8220;loja&#8221; se fundia com outra: a Armani tornava-se a Dinki Di Pies. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=armthespirit.wordpress.com&amp;blog=6374620&amp;post=390&amp;subd=armthespirit&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Procurando uma livraria que já lá não estava, entrei num labirinto desenhado como uma verdadeira armadilha. Sair dali tornou-se uma ilusão distante, tal como Alice quando passou para o outro lado do espelho. As paredes de vidro curvavam-se em círculos concêntricos enquanto uma &#8220;loja&#8221; se fundia com outra: a Armani tornava-se a Dinki Di Pies. As &#8220;saídas&#8221; desembocavam num sem número de novas &#8220;ofertas&#8221; e &#8220;oportunidades únicas&#8221;. Ao procurar direcções acabei por comprar um par de óculos de sol: qualquer coisa para sair dali. Era uma visão do inferno. Trata-se do mega centro comercial de Westfield.</p>
<p>Isto passou-se em Sidney – onde começou o império Westfield – num centro comercial que não tem nem a metade do tamanho daquele que abriram em Stratford, East London, em 13 de Setembro último. Ali podemos encontrar &#8220;Tudo&#8221;, como dizia Jonathan Glancey, um crítico de arquitectura: da Apple à Primark, do MacDonald&#8217;s ao KFC e ao Krispy Kreme. Há um cinema com 17 salas e com &#8220;luxuosos lugares vip&#8221; e uma gigantesca e não menos luxuosa sala de bowling. Tracey Emin e Mary Portas são os nomes de quem dirige a &#8220;equipa cultural&#8221; da Westfield. O maior casino lá do sítio olhará de cima uma rua &#8220;24-hour lifestyle &#8221; a que chamam The Arcade. Essa mesma via será a única forma de acesso aos Jogos Olímpicos de 2012 por onde terão de passar 10 milhões de pessoas. A mensagem simples e grotesca do &#8220;compra, compra&#8221; foi aquela escolhida por Londres para acolher o mundo.</p>
<p>&#8220;Se virem o filme da Disney Wall-E&#8221;, escrevia Glancey em 2008, &#8220;certamente reconhecerão Westfield e centros comerciais do mesmo género. No filme os humanos, tendo abandonado o planeta terra que a sua própria ganância destruíra, vivem uma vida absolutamente sedentária que se resume a comer e consumir. Têm um corpo redondo e atarracado e perderam totalmente o uso das suas pernas. Será que é assim que vamos acabar? Ou será que vamos cair nas profundezas de uma recessão gigantesca… sem nada com que comprar nem onde comprar?&#8221; Numa imediaticidade menos apocalíptica, Westfield é &#8220;um passo rumo ao nosso desejo colectivo de destruir a vida e a cultura tradicional das nossas cidades, assim como a sua arquitectura, comprando cada vez mais.&#8221;</p>
<p>O plano inicial de desenvolvimento da cidade de Stratfor invocava Barcelona: uma grelha bem definida de ruas de lojas e habitações. Moderna, civilizada. Depois disso os Olímpicos impuseram-se e com eles a Westfield, uma grande corporação patrocinadora do evento. O mega centro comercial, o maior da Europa por sinal, foi construído no meio de um nevoeiro de grandes blocos de apartamentos não muito longe dos locais onde ocorreram os distúrbios recentes. Os seus produtos de &#8220;designer&#8221;, feitos à custa da mais barata e arregimentada mão-de-obra, são chamativos para os mais endividados. O facto de situar-se num local onde os trabalhadores londrinos costumavam produzir comboios – milhares de carruagens, locomotivas, vagões comerciais – naquilo a que outrora se chamou produzir, desperta-nos um interesse melancólico. Os empregos do mega centro comercial não produzem absolutamente nada e são muito mal pagos. É um símbolo destes nossos tempos extremos.</p>
<p>Frank Lowy é co-fundador da Westfield, bilionário israelense-australiano, está para o comércio como Robert Murdoch para os media. Westfield é proprietário ou tem participações em mais de 120 centros comerciais em todo o mundo. A torre de Sydney, a estrutura mais visível da cidade, tem estampado o seu nome: &#8220;Westfield&#8221;. Lowy, um antigo comando israelita, doa milhões ao estado de Israel e em 2003 fundou o &#8220;independente&#8221; Instituto Lowy para as Relações Internacionais (Lowy Institute for Foreing Affairs) que promove a política externa de Israel e dos Estados Unidos.</p>
<p>No mesmo dia em que abriu o centro comercial de Stratford, os investigadores de Unicef afirmavam em relatório que as crianças britânicas eram apanhadas numa &#8220;armadilha materialista&#8221; que consistia em &#8220;comprá-los&#8221; com produtos de marca. Os pais de rendimento reduzido sentiam &#8220;uma pressão tremenda da sociedade&#8221; para comprar &#8220;roupas de marca, sapatilhas de marca e tecnologia&#8221; para as suas crianças. À publicidade televisiva e outras formas de sedução da &#8220;cultura do consumo&#8221; juntam-se os baixos rendimentos e longas horas de trabalho, como responsáveis pela situação. As crianças contaram aos investigadores que prefeririam passar mais tempo com a sua família e ter mais actividades ao ar livre, mas isto na maior parte das vezes não era possível. Assim como &#8220;segurança social&#8221; se tornou numa palavra maldita, também o equipamento social para os jovens e as associações juvenis estão a ser progressivamente eliminadas pelas autoridades locais.</p>
<p>Há quatro anos atrás a Unicef publicou uma tabela relativa ao bem-estar das crianças em 21 países industrializados. O Reino Unido encontrava-se no fim da tabela. Um quinto das crianças britânicas vive na pobreza: um número que se prevê aumentar no ano das Olimpíadas. A prioridade da classe política britânica, independentemente do partido, é fazer o cidadão comum pagar o &#8220;défice&#8221;, termo cínico e capcioso usado para as dádivas gigantescas a bancos corruptos, e para travar sórdidas guerras coloniais que servem para roubar os recursos de outros países. Isto é o tipo de extremismo que nunca diz o seu nome.</p>
<p>É um extremismo que castra as sociais-democracias, que foram a redenção europeia do pós-guerra. O empobrecimento forçado da Grécia, com as exorbitantes contrapartidas exigidas pela banca alemã e francesa, levará provavelmente a outro golpe fascista. O empobrecimento forçado de milhões de britânicos levado a cabo pelo &#8220;antigo regime&#8221; de David Cameron, com o seu crescente estado policial e burguesia complacente, especialmente nos media, produzira mais motins: nada é mais certo. Poderemos contar com o extremismo do apartheid para despoletar tal resultado, e pouco importará o lustro consumista hermeticamente fechado num gigantesco centro comercial. Perspectiva-se uma democracia para os ricos e totalitarismo para os pobres, e não só; e claro &#8220;intervenção liberal&#8221;, como lhe chamou num tom aprovador o The Guardian, para aquelas regiões demasiado frágeis para resistirem à &#8220;precisão&#8221; dos nossos mísseis Brimstone.</p>
<p>Fui noutro dia ao Parliament Square. O gráfico que mostrava os crimes estatais, da autoria do activista pela paz e justiça Brian Haw, fora finalmente retirado pela polícia metropolitana. Ela sabia que Brian já não lhes podia fazer frente, tanto física como legalmente, como o fizera durante uma década. Brian morreu em Junho passado. Ao visitá-lo durante um natal gélido, fiquei emocionado pela maneira como persuadia os mais simples transeuntes e com a força da sua coragem. Necessitamos agora de milhões como ele. Urgentemente.<br />
22/Setembro/2011</p>
<p>O original encontra-se <strong><a href="http://www.johnpilger.com/articles/war-and-shopping-an-extremism-that-never-speaks-its-name">aqui</a></strong>. </p>
<p>Tradução de <strong>MQ</strong>.</p>
<p>Este artigo encontra-se em <strong><a href="http://resistir.info/">Resistir</a></strong>. </p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/armthespirit.wordpress.com/390/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/armthespirit.wordpress.com/390/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/armthespirit.wordpress.com/390/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/armthespirit.wordpress.com/390/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/armthespirit.wordpress.com/390/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/armthespirit.wordpress.com/390/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/armthespirit.wordpress.com/390/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/armthespirit.wordpress.com/390/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/armthespirit.wordpress.com/390/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/armthespirit.wordpress.com/390/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/armthespirit.wordpress.com/390/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/armthespirit.wordpress.com/390/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/armthespirit.wordpress.com/390/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/armthespirit.wordpress.com/390/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=armthespirit.wordpress.com&amp;blog=6374620&amp;post=390&amp;subd=armthespirit&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Video &#8211; Murar o Medo, por Mia Couto</title>
		<link>http://armthespirit.wordpress.com/2011/11/26/video-murar-o-medo-por-mia-couto/</link>
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		<pubDate>Sat, 26 Nov 2011 10:20:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Arm The Spirit</dc:creator>
				<category><![CDATA[Videos]]></category>

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		<description><![CDATA[Vale a pena reflectir sobre isto&#8230; Video aqui.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=armthespirit.wordpress.com&amp;blog=6374620&amp;post=388&amp;subd=armthespirit&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vale a pena reflectir sobre isto&#8230;</p>
<p>Video <strong><a href="http://www.youtube.com/watch?v=jACccaTogxE&amp;feature=player_embedded">aqui</a></strong>.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/armthespirit.wordpress.com/388/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/armthespirit.wordpress.com/388/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/armthespirit.wordpress.com/388/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/armthespirit.wordpress.com/388/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/armthespirit.wordpress.com/388/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/armthespirit.wordpress.com/388/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/armthespirit.wordpress.com/388/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/armthespirit.wordpress.com/388/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/armthespirit.wordpress.com/388/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/armthespirit.wordpress.com/388/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/armthespirit.wordpress.com/388/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/armthespirit.wordpress.com/388/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/armthespirit.wordpress.com/388/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/armthespirit.wordpress.com/388/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=armthespirit.wordpress.com&amp;blog=6374620&amp;post=388&amp;subd=armthespirit&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Torres Gémeas: O Derrube das Mentiras, por Alejandro Nadal</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Nov 2011 10:16:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Arm The Spirit</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arm The Spirit]]></category>

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		<description><![CDATA[Qualquer pessoa que tenha dúvidas sobre o colapso das Torres Gémeas no dia 11 de Setembro de 2001 conhece a síndroma. Os seus amigos perguntam-lhe invariavelmente: então tu acreditas na teoria da conspiração? E aqui é onde não se deve fraquejar. As dúvidas são sobre o colapso. Não há que sair nem um ápice desse [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=armthespirit.wordpress.com&amp;blog=6374620&amp;post=386&amp;subd=armthespirit&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Qualquer pessoa que tenha dúvidas sobre o colapso das Torres Gémeas no dia 11 de Setembro de 2001 conhece a síndroma. Os seus amigos perguntam-lhe invariavelmente: então tu acreditas na teoria da conspiração?</p>
<p>E aqui é onde não se deve fraquejar. As dúvidas são sobre o colapso. Não há que sair nem um ápice desse terreno: o derrube das Torres Gémeas e do arranha-céus WTC 7 (de 47 andares, que não foi atingido pelos aviões) não obteve uma explicação adequada. Não se pode perder isso de vista. E as discussões sobre conspirações não ajudam em nada a esclarecer a forma e velocidade desse mesmo colapso.</p>
<p>Este é o ponto central sobre o qual se concentra a análise dos membros da organização Arquitectos e Engenheiros pela Verdade do 11 de Setembro. Qualquer pessoa pode examinar o volumoso conjunto de provas que essa organização reuniu no seu sítio da internet, www.ae911truth.org. Já são 1549 os engenheiros, arquitectos e físicos estado-unidenses que assinaram uma petição para reclamar uma investigação séria sobre o que se passou nesse dia em Manhattan. Ninguém pode deixar de dar uma vista de olhos a esse material no portal.</p>
<p>Tudo isto merece uma explicação mais detalhada. Os aviões que foram estatelados contra as Torres Gémeas provocaram uma forte explosão e um grande incêndio. Os relatórios oficiais das agências estado-unidenses limitam-se a examinar o que aconteceu aos edifícios no tempo transcorrido entre o impacto dos aviões e o início do colapso. Uma vez começado o derrube das Torres Gémeas, os relatórios abandonam o relato.</p>
<p>Desta forma, parece que ao se falar sobre os impactos e sobre o incêndio que se lhes seguiu, se esgotou o tema e já não é necessário continuar a análise. Os relatórios do Instituto de Normas e Tecnologia, NIST, da Agência de Gestão de Emergências, FEMA, e da Comissão Especial nomeada pelo então presidente Bush apresentam diferenças. Mas coincidem em concluir que os incêndios não fundiram a estrutura de aço, e que o impacto e o fogo debilitaram a estrutura dos andares directamente afectados, fazendo com que cedessem e com que os edifícios caíssem. Até aqui chega a sua explicação.</p>
<p>Mas o essencial é isto: os relatórios não dizem nada sobre a forma como se desenvolve o colapso das Torres Gémeas ou do edifício WTC 7. Entre outras coisas, não explicam por que razão os três edifícios desabaram à velocidade de uma queda livre. A evidência das filmagens os dos três desabamentos é claríssima. Nos três casos, o colapso desenrola-se como se entre os andares superiores e o rés-do-chão não houvesse nada a oferecer resistência. Isso é una anomalia que surpreende qualquer arquitecto ou engenheiro. As estruturas de aço dos andares inferiores estão feitas para resistir e estavam intactas depois do impacto dos aviões. Tiveram de oferecer resistência. Os relatórios oficiais não dizem nada sobre isto.</p>
<p>Por outro lado, as duas Torres Gémeas eram compostas por várias centenas de milhares de toneladas de cimento que foram pulverizadas com o derrube. Os engenheiros, físicos e arquitectos que examinaram as provas depois do colapso sabem bem que, atirando um bloco de cimento de uma altura de cem andares, só se vai conseguir que se despedace. Mas não se vai pulverizar. Para isso é necessária uma fonte de energia adicional. Poderiam os andares superiores comprimir e pulverizar o cimento dos andares inferiores? A resposta é negativa: se os andares superiores tivessem comprimido os andares inferiores, provocando a pulverização, a queda não se teria produzido à velocidade gravitacional.</p>
<p>Como foi eliminada a resistência dos andares inferiores para permitir o colapso à velocidade de queda livre? De onde saiu a energia que permitiu pulverizar as centenas de milhares de toneladas de cimento das duas torres? Essas duas perguntas carecem de resposta oficial. Vários estudos sérios apontam numa direcção: explosivos.</p>
<p>Não se trata de explosivos convencionais, como os usados em qualquer demolição controlada. A análise de amostras de pó e de fragmentos das construções revela a presença de micro-esferas de ferro fundido e alumínio, testemunho de reacções com o explosivo incendiário termite. Vários estudos sobre amostras de pó concluem sobre a presença estilhaços com compostos de nanotermite (partículas de óxido ferroso incrustadas numa matriz rica em carbono). Tudo isso indica, segundo esses estudos, que estiveram presentes explosivos não convencionais nos eventos de 11 de Setembro e que eles poderiam ter eliminado a resistência dos andares inferiores, explicando assim a velocidade de queda livre do colapso.</p>
<p>O governo mais mentiroso na história dos Estados Unidos colocou sobre a mesa três relatórios para “esclarecer” o que tinha acontecido no dia 11 de Setembro de 2001. O que dizem é muito simples. Esse dia é realmente histórico porque se quebraram as leis mais elementares da física.</p>
<p>O original encontra-se <strong><a href="http://www.jornada.unam.mx/2011/09/07/opinion/025a1eco">aqui</a></strong>.</p>
<p>Retirado de <strong><a href="http://infoalternativa.org/spip.php?article2233">Info Alternativa</a></strong>.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/armthespirit.wordpress.com/386/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/armthespirit.wordpress.com/386/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/armthespirit.wordpress.com/386/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/armthespirit.wordpress.com/386/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/armthespirit.wordpress.com/386/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/armthespirit.wordpress.com/386/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/armthespirit.wordpress.com/386/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/armthespirit.wordpress.com/386/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/armthespirit.wordpress.com/386/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/armthespirit.wordpress.com/386/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/armthespirit.wordpress.com/386/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/armthespirit.wordpress.com/386/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/armthespirit.wordpress.com/386/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/armthespirit.wordpress.com/386/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=armthespirit.wordpress.com&amp;blog=6374620&amp;post=386&amp;subd=armthespirit&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Alfonso Cano, Herói da Colômbia. Por Miguel Urbano Rodrigues</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Nov 2011 20:39:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Arm The Spirit</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Alfonso Cano, comandante-chefe das Forças Armadas Revolucionarias da Colômbia caiu combatendo no dia 4 de Novembro. Alfonso Cano bateu-se pela libertação da Colômbia durante mais de quatro décadas. De origem burguesa, rompeu com sua classe na Universidade de Bogotá quando estudava Antropologia. Dirigente da Juventude Comunista conquistou ali o respeito de professores e colegas pelo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=armthespirit.wordpress.com&amp;blog=6374620&amp;post=383&amp;subd=armthespirit&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Alfonso Cano, comandante-chefe das Forças Armadas Revolucionarias da Colômbia caiu combatendo no dia 4 de Novembro. </p>
<p>Alfonso Cano bateu-se pela libertação da Colômbia durante mais de quatro décadas. De origem burguesa, rompeu com sua classe na Universidade de Bogotá quando estudava Antropologia. Dirigente da Juventude Comunista conquistou ali o respeito de professores e colegas pelo seu talento, cultura e firmeza de carácter. Era um intelectual brilhante que tinha dos clássicos do marxismo e da História do seu país um conhecimento profundo quando aderiu às FARC. </p>
<p><a href="http://armthespirit.files.wordpress.com/2011/11/alfonso-cano-venceremos.jpg"><img src="http://armthespirit.files.wordpress.com/2011/11/alfonso-cano-venceremos.jpg?w=614" alt="" title="Alfonso Cano, Venceremos!"   class="aligncenter size-full wp-image-384" /></a></p>
<p>Terá sido com Jacobo Arenas um dos mais criativos ideólogos da organização revolucionária. Não surpreendeu, portanto, a sua nomeação para comandante-chefe quando Manuel Marulanda morreu. </p>
<p>Como era de esperar chovem agora sobre o presidente Juan Manuel Santos felicitações dos dirigentes dos países imperialistas. O crime é por eles transformado em grande vitória da democracia contra o terrorismo. </p>
<p>Os media do sistema já elaboraram e divulgaram uma extensa lista dos &#8220;crimes&#8221; cometidos pelo &#8220;terrorista&#8221; e &#8220;narcotraficante&#8221; morto. </p>
<p>Omitem obviamente que Alfonso Cano foi o responsável do projecto que as FARC enviaram à ONU e ao governo colombiano nos anos 90, propondo a erradicação da cultura da coca num prazo de 10 anos do município de Cartagena del Chairá, o maior produtor da planta maldita no país. Essa experiência piloto exigiria apenas o modesto financiamento de 10 milhões de dólares. A iniciativa foi, porém imediatamente vetada pelo governo de Bogotá, considerado por Washington modelo de democracia e o seu melhor aliado na América do Sul. </p>
<p>A oligarquia colombiana festejou, naturalmente, com entusiasmo a morte do líder das FARC. A organização guerrilheira define o regime, desde a presidência de Uribe, como fascizante. E não exagera no qualificativo. </p>
<p>O presidente Juan Manuel Santos, ministros e generais deslocaram-se a Popayan, capital do Departamento do Cauca onde foi assassinado Cano, para ver o seu cadáver, em exposição, condecorar os matadores e celebrar o crime em ambiente de entusiasmo. Os militares esclareceram que no acampamento onde se travou o ultimo combate foram encontrados os computadores do comandante e que o seu conteúdo &#8220;será estudado&#8221;. A notícia logo correu mundo. Tudo indica que o governo, repetindo o uso que fez dos computadores manipulados do comandante Raul Reyes, tornará em breve públicas revelações sensacionais sobre a sua descoberta. </p>
<p>O comandante Alfonso Cano, como outros membros do secretariado do Estado-maior central das FARC tinha a cabeça a premio por mais de um milhão de dólares. É incómodo para Santos e os seus epígonos reconhecer que na Operação &#8220;Odisseia&#8221; – insulto ao herói grego de Homero – montada para a abater o comandante das FARC participaram 2300 oficiais sargentos e soldados, aviões Super Tucano e muitos helicópteros. </p>
<p>No início do ano o governo de Bogotá divulgou notícias segundo as quais Alfonso Cano se encontraria no Oriente, próximo da fronteira da Venezuela. Eram falsas. </p>
<p>O secretariado das FARC, no momento em que escrevo, ainda não se pronunciou sobre as circunstâncias do crime. </p>
<p>Mas o simples facto de as selvas do oriente do país distarem cerca de 800 quilómetros do município de Suarez, no Cauca, onde ele morreu, após dois bombardeamentos maciços e um cerco montado por tropas especiais convida à reflexão. Duas cadeias de gigantes andinos da Cordilheira Oriental e da Central separam essas frentes de combate. </p>
<p>Ignoro por onde se movimentou Cano nos últimos meses. As declarações ao diário El Tiempo dos militares que o mataram não inspiram confiança. Num ponto coincidem todas: Alfonso Cano caiu combatendo! </p>
<p>A capacidade estratégica e a mobilidade dos guerrilheiros das FARC, cruzando montanhas, rios e florestas, em travessias que a História registou e inspiraram poetas e novelistas somente encontram precedente na saga de Bolívar galgando os Andes, durante a campanha de libertação de Nova Granada (a actual Colômbia). </p>
<p>Alfonso Cano, como Jorge Briceño, Jacobo Arenas e Manuel Marulanda souberam pelo seu exemplo, como revolucionários comunistas, conquistar em vida o respeito de milhões de compatriotas. Mortos, os seus nomes permanecerão na História como heróis da América Latina. </p>
<p>Foram duríssimos os golpes recebidos nos últimos anos pela organização guerrilheira mais antiga do Continente, que se bate há mais de quatro décadas por uma Colômbia democrática, livre, progressista, enfrentando um exército de 300 mil homens, armado e financiado pelos EUA. </p>
<p>Mas a hierarquia da Igreja e inclusive a oligarquia crioula estão conscientes de que não há solução militar para o trágico conflito que ensanguenta a nação. </p>
<p>A euforia de Juan Manuel Santos – protector de paramilitares assassinos – não consegue ocultar a sua certeza de que o combate das FARC vai prosseguir. Ele próprio reconheceu já essa evidência. Os media oficiais avaliam em 10 mil o numero actual de guerrilheiros das FARC. </p>
<p>A luta continua na Colômbia! </p>
<p><strong>Vila Nova de Gaia</strong>, <strong>5</strong>/<strong>Novembro</strong>/<strong>2011</strong></p>
<p>O original encontra-se <strong><a href="http://www.odiario.info/?p=2267">aqui</a></strong>. </p>
<p>Retirado de <strong><a href="http://resistir.info/">Resistir</a></strong>.</p>
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